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As doenças mentais atingem aproximadamente 720 milhões de pessoas no mundo todo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), representando 10% da população mundial. Entre tantas doenças mentais está o Transtorno Afetivo Bipolar, considerado um distúrbio crônico e complexo, que acomete cerca de 6 milhões de pessoas no Brasil.

De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), a doença consiste em episódios de mania e depressão, separados por períodos de humor normal. Os episódios de mania envolvem humor elevado ou irritado, excesso de atividade, pressão de fala, autoestima inflada e menor necessidade de sono. As pessoas que têm episódios de mania, mas não experimentam episódios depressivos, também são classificadas como tendo o transtorno bipolar.

A médica psiquiatra Daniele Boulhosa explica a relação da doença com fatores genéticos, mas enfatiza que não há, de fato, um fator que evidencie o transtorno. “Como tudo na ciência, há várias teorias com relação à causa do transtorno, mas grande parte dos estudos apontam fortes fatores genéticos. Ainda não temos resposta definitiva sobre como ocorre essa transmissão, mas sabemos que os fatores ambientais influenciam bastante”, afirma.

O jornalista e escritor e, atualmente estudante de psicologia Tiago Júlio, foi diagnosticado com o transtorno bipolar e realiza tratamento há 8 anos. “Eu já apresentava sintomas e um histórico de depressão desde a infância. Na adolescência piorou. A minha mãe é psicóloga e sempre insistiu pra eu buscar ajuda profissional, mas eu tinha muito preconceito. Achava que eu era autossuficiente e que a psicoterapia era dispensável. Às vésperas de eu completar 23 anos, eu tive uma crise bem séria em que perdi parcialmente o contato com a realidade. Era uma crise de mania, o outro polo da Bipolaridade”, declara.

Segundo a médica, os fatores genéticos existem, mas o principal risco do transtorno ainda é o diagnóstico tardio e, consequentemente, o tratamento também tardio após uma gradativa evolução da doença. “É muito comum pacientes maníaco-depressivos terem, de início, um diagnóstico de depressão, já que o estado maníaco é confundido com um estado de felicidade, ansiedade, produtividade e aí mora o perigo. O estado maníaco é tão danoso ao paciente quanto o depressivo, é nesse estado que pode se expor a riscos quanto à integridade física, financeiros, abuso de substâncias tóxicas, ou hábitos que gradualmente danificam a saúde física e mental da pessoa”, destaca.

Em 2016, Tiago escreveu a sua autobiografia Cabeça Bipolar, que está disponível em e-book e já teve mais de 1.000 downloads na Amazon, entre pagos e gratuitos. “No livro eu me expus completamente de forma real, sem maquiagem. As partes boas e felizes, mas as ruins e tristes também. É uma obra honesta, intensa, que fala de um período muito delicado da vida, que esse é processo de tornar-se adulto. Espero conseguir lançar novamente uma versão física do livro no futuro porque acho que ele merece”, revela.

Foto: Tiago Júlio/Arquivo pessoal

O jornalista comenta que está há três anos estável. “Levo meu tratamento a sério porque a Bipolaridade não tem cura e muito do equilíbrio depende de mim”, relata.

Os sintomas

A especialista pontua os principais sintomas dessa doença, além de colocar que a depressão é parte do transtorno. “É muito comum, um paciente que sofre de Transtorno Afetivo Bipolar ser diagnosticado, primeiramente, como um paciente depressivo, porque a depressão também faz parte do transtorno e consegue ter sintomas mais ‘facilmente identificáveis’, mas a principal característica sintomática do transtorno é essa variação do estado maníaco ao depressivo, em um intervalo de meses, semanas ou até dias, dependendo do paciente. Nos dois tipos de humor, o paciente passa por um sofrimento psíquico, porque reage de forma exagerada involuntariamente a situações da vida, podendo até mesmo passar por comportamentos autodestrutivos e suicidas”, avalia.

Tratamento

Por fim, a psiquiatra considera a importância do diagnóstico precoce para a realização do tratamento por meio de medicamentos e o apoio da psicoterapia. “Repito que quanto mais cedo o diagnóstico é feito, mais cedo o paciente que sofre de Transtorno Afetivo Bipolar pode conviver melhor com a doença, que ainda não tem cura. A principal forma de tratamento é a intervenção medicamentosa, feita por um psiquiatra, em que normalmente se prescreve uma combinação de antidepressivos com estabilizadores de humor, que ajudam bastante a aliviar os sintomas, tanto da mania, quanto da depressão. Outro acompanhamento que se faz necessário é o psicoterápico, para ajudar o paciente a encontrar mecanismos de enfrentamento. É importante dizer que quem sofre com o Transtorno Afetivo Bipolar pode trabalhar, namorar, sair à noite com amigos, viver uma vida plena, desde que esteja seguindo um tratamento adequado”, conclui.

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