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Quase 90% dos médicos são à favor do serviço de telepsiquiatria e consideram uma alternativa viável para cuidar da saúde mental. Essa prática se mostrou eficaz e conseguiu trazer bons resultados terapêuticos. Mesmo satisfeitos do outro lado da tela, os pacientes sentiram a falta de contato físico entre médico e paciente. Essa constatação é de estudo feito com 530 pacientes psiquiátricos sobre novas abordagens médicas como medida emergencial durante a pandemia do coronavírus. A única observação é que as emergências psiquiátricas como surtos psicóticos, risco de suicídio, agressividade contra si ou a outros, e intoxicação por uso de álcool e drogas, que precisam ser tratadas de forma presencial.

O estudo foi feito entre fevereiro e setembro de 2021 na Universidade Nacional de Assunção, Paraguai, e contou com a participação do médico psiquiatra João Maurício Castaldelli-Maia, da Faculdade de Medicina (FM) da USP. A proposta teve o intuito de avaliar, do ponto de vista médico, a satisfação dos pacientes que utilizavam o serviço de telepsiquiatria, oferecido pelo departamento de Psiquiatria do Hospital de Clínicas da Universidade de Assunção.

Para Castaldelli-Maia, “a telemedicina é uma alternativa viável para a prestação de serviços presenciais de saúde mental e veio para ficar. A pandemia do coronavírus só acelerou esse processo que já vinha aumentando nas últimas décadas porque há uma lacuna entre a demanda e a disponibilidade de cuidados de saúde mental”, explica Castaldelli-Maia ao Jornal da USP. A segurança no atendimento, a possibilidade de suporte médico às pessoas em áreas rurais e/ou remotas e a exclusão do tempo gasto no deslocamento pelo paciente até o consultório ou hospital são algumas vantagens que o pesquisador menciona.

Os pacientes da pesquisa, com idade entre 18 anos e 75 anos, de ambos os sexos, responderam por telefone vinte questões subdivididas nas áreas: percepção do atendimento telepsiquiátrico; qualidade do atendimento em telepsiquiatria; relação médico-paciente em telepsiquiatria; e confiança no serviço de telepsiquiatria. Os transtornos dos voluntários eram de depressão, ansiedade, transtorno de personalidade borderline, transtorno bipolar, abusos de substâncias, esquizofrenia, distúrbios do sono e outras desordens psicóticas.

Resultados
Dos psiquiatras que atenderam os pacientes, 90% consideraram a modalidade online extremamente adequada e 75% relataram que haviam conseguido realizar um bom diagnóstico de saúde mental. Desses médicos, 62% mostraram ter preferência por fazer telepsiquiatria em consultas de seguimento, ou seja, antes do início das consultas virtuais, deveria haver uma primeira avaliação presencial do paciente.

Segundo os pacientes, eles tiveram altos escores de satisfação e segurança com relação a aceitação da telepsiquiatria como a modalidade viável para o cuidado da saúde, e menor escore de satisfação com relação ao estreitamento de vínculos médico-paciente.

Segundo Castaldelli-Maia, na linha de apoio à telepsiquiatria já existem estudos de metanálise (estudos que usam dados de vários estudos prévios) que mostram a qualidade de serviços de saúde mental online e que confirmam equivalência nas intervenções por vídeoconferência quando comparadas às realizadas pessoalmente.

Para emergências psiquiátricas, atendimento presencial
Castaldelli-Maia reconhece a importância do diálogo direto com o paciente, o considerado “o olho no olho”, isso porque proporciona melhor exploração de sinais não verbais, sintomas e manifestações laboratoriais. “Logo no primeiro encontro, se estabelece uma interação de acolhimento que proporciona ao paciente maior confiança e possibilidade de abertura para conversar e mitigação do sofrimento”, porém, essa questão precisa ser contornada, diz.

A telemedicina não substitui 100% a consulta presencial, mas não deixa de ser favorável à incorporação das novas tecnologias na psiquiatria porque se torna mais fácil o acesso aos serviços de saúde, além da modalidade ser mais viável para pessoas que tenham mais dificuldades de locomoção e populações isoladas geograficamente.

Castaldelli-Maia também fala das emergências psiquiátricas – surtos psicóticos, risco de suicídio, agressividade contra si ou a outros, e intoxicação por uso de álcool e drogas – que não podem ser tratadas via telepsiquiatria. Em casos assim, o paciente é precisa comparecer presencialmente ao consultório para acolhimento, avaliação e prescrição de medicamento, se for necessário.

Fonte: Jornal da USP

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