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De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o tumor de colo de útero é o 3º tipo mais frequente na população feminina, e atinge 16.710 mulheres por ano, no Brasil, com estimativa de novos casos por ano entre no triênio de 2020 a 2022.

Segundo o Inca, tirando o câncer de pele não melanoma, o câncer de colo do útero é o terceiro tumor maligno mais frequente em mulheres, somente atrás do câncer de mama e do colorretal, além de ser quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Há outros tipos de câncer relacionados ao HPV, como os de boca e orofaringe, vulva, pênis e canal anal.

Para o Inca, a estimativa é de 780 novos casos no Pará, e 110 em Belém até o final deste ano. A região Norte do Brasil é a única em que a incidência do câncer de colo de útero supera a do câncer de mama.

Prevenível – A vacina é capaz de evitar esse tipo de câncer, mas para quem sabe o mínimo sobre, o assunto parece impossível, afinal, existem mais de 200 tipos de câncer. O que se chama de câncer são muitas doenças diferentes. De acordo com uma pesquisa publicada recentemente na The Lancet, uma das revistas científicas mais importantes do mundo, faz repensar essa possibilidade, pelo menos com relação ao câncer de colo de útero.

O resultado da pesquisa da Lancet sobre a eficácia da vacina contra o HPV no combate o câncer de colo de útero é animador. Estudiosos da Escola de Câncer e Ciências Farmacêuticas da King’s College, de Londres, constataram que a vacina contra o HPV reduziu a incidência do câncer de colo de útero em 87% no grupo de mulheres que participaram da pesquisa e que foram imunizadas com a vacina quando tinham idade entre 12 e 13 anos.

A saúde delas foi acompanhada pelos pesquisadores desde o ano de 2008. É a comprovação científica de que a vacina contra o HPV é uma arma muito importante no combate ao câncer de colo de útero, além de ser um recurso capaz de erradicar a doença para as próximas gerações.

O HPV é responsável por cerca de 90% os casos de câncer de colo do útero e que a doença pode ser evitada com a vacinação em massa.

“O número anual de mortes por câncer de colo de útero é de cerca de 6 mil e 500 mulheres por ano, no Brasil. Veja se não é um absurdo total a gente perder tantas vidas por ano para um câncer que é totalmente prevenível”, afirma a oncologista Paula Sampaio. “Por isso, o resultado dessa pesquisa é tão importante”, comemora a médica. “Se conseguirmos a vacinação em massa contra o HPV, que as pessoas usem preservativo e que as mulheres com mais de 25 anos façam o papanicolau, anualmente, estaremos no caminho da erradicação do câncer de colo de útero”, resume a médica.

Teliany marques, de 52 anos, sempre fez os exames preventivos regularmente, mas em 2013, teve sangramentos anormais e pediu ao ginecologista para refazer os exames de rastreio. O diagnóstico confirmou o câncer de colo de útero em estágio avançado. O tratamento foi iniciado de imediato: fez histerectomia, para a retirada do útero, e em seguida teve problemas que a levaram a outras duas cirurgias, para retirada do apêndice e parte do ureter, que estava necrosado. Foram necessários quatro meses para a sua recuperação, e em seguida, então, iniciar as sessões de quimioterapia e radioterapia.

Em 2014, houve uma recidiva, com um novo tumor na pelve. Ela passou por mais quimioterapias e ficou com linfedema (inchaço) nas pernas. A alta médica só veio em agosto de 2019, mas Teliany continua em acompanhamento oncológico e linfático. Com a experiência do câncer, ela se tornou ainda mais cuidadosa com as filhas, Juliany, de 28 anos, e Sofia, de 13 anos. “Não descuido dos cuidados preventivos para as duas, para que não precisem passar pelo que eu passei”, afirma.

A preocupação maior era com a filha menor. “Na época da doença, ela tinha quatro anos e dizia que não queria ficar dodói como eu. Por isso, não hesitei nem um minuto: assim que a Sofia atingiu a idade indicada, levei para vacinar contra o HPV”, conta Teliany. “Já a filha mais velha, tomou a vacina com 25 anos e sempre faz os preventivos anuais”, afirma.

Teliany foi além dos cuidados com as filhas, e reuniu parentes e até as mães das colegas de escola da filha para falar sobre a importância da vacinação. “Fiz campanha na minha rede familiar e de amizades, para convencer as pessoas a levarem os filhos – meninos e meninas – para vacinar”, lembra. “Na nossa época, não tivemos essa oportunidade. Mas nossos filhos podem ser protegidos. Faço questão de orientar bem sobre todos os cuidados que minhas filhas devem ter, cada uma no tempo certo, de acordo com suas idades”, destacou.

Vacinação X negação – A maioria dos casos de câncer de colo de útero tem o diagnóstico em estágios avançados, o que acaba dificultando o tratamento e as chances de cura. “É angustiante, pois sabemos que é um tumor que poderia ser evitado. Nos países que fazem a vacinação em massa e controle, como a Austrália, o número de casos de câncer de colo de útero é muito pequeno. Eles caminham para a erradicação da doença. No Brasil ainda temos uma incidência enorme, apesar de termos um Programa Nacional de Imunização que é referência no mundo, com as ferramentas necessárias para prevenir a doença”, avalia a médica.

No Brasil, a vacina é disponibilizada pela rede pública de saúde para meninas entre 9 e 14 anos e, para meninos, entre 11 e 14 anos. Essa faixa etária foi escolhida por ser a que apresenta maior benefício pela grande produção de anticorpos e por ainda não ter sido exposta ao vírus. O objetivo é que as crianças e adolescentes sejam vacinados antes de serem sexualmente ativos. “Não se trata de uma vacina contra DST´s (doenças sexualmente transmissíveis), é muito mais do que isso. É uma ferramenta eficaz na prevenção do câncer, mas boa parte da população não está aproveitando essa oportunidade por desinformação e preconceito”, lamenta a médica.

No Brasil, apesar das doses disponíveis nos postos de saúde, a cobertura da vacina contra o HPV é considerada “insatisfatória” pelos especialistas. Numa análise publicada no final de 2020, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) apontou que 70% das meninas de 9 a 15 anos e pouco mais de 40% dos meninos de 11 a 14 anos tomaram a primeira dose da vacina.

Na segunda dose, os índices de vacinados foram ainda mais baixos, indo para 40% e 30%, respectivamente. De acordo com a entidade, o ideal seria que as taxas atingissem os 80% em ambos os sexos. São números considerados abaixo do esperado, e isso dificulta o cumprimento da meta da OMS de eliminar o câncer de útero até o ano de 2030.

Um dos maiores argumentos para negar a imunização é a crença errônea de que a vacina seria um passe livre ou incentivo ao sexo entre adolescentes. “Os pais têm dificuldade de entender que não é uma liberação para a atividade, apenas uma vacina contra um vírus que pode resultar em câncer”, pontua Paula Sampaio.

Também existe preconceito com a relação à vacina para os meninos. “É necessário entender que a vacinação para o menino não é só para proteger a menina. Eles também estão sujeitos a outros tipos de câncer em que a imunização ajuda na prevenção”, lembra Paula.

*Com informações da assessoria de imprensa

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