Redes Sociais
Publicidade

Publicado

no

Todos sabem que as dívidas impactam a saúde do bolso, seja de forma direta ou indireta. As pendências financeiras podem trazer o famoso “nome sujo”, e impedir que tenhamos acesso ao mercado, e até mesmo dificuldades para manter contas básicas como água, luz e mercado em dia, mas além disso, restringe também os planejamentos futuros.

Tem se tornado cada vez mais urgente e fundamental discutir a relação entre saúde financeira e saúde mental, assim como outros aspectos, os impactos das dívidas relacionado às emoções de quem vive essa situação. Você já parou para pensar nisso? Essa é, exatamente, a reflexão que queremos provocar para entender melhor sobre o assunto.

O que dizem os dados sobre a relação entre o bolso e a mente?

A Serasa, em parceria com a Opinion Box, recentemente divulgou o seu levantamento anual sobre o perfil do brasileiro endividado, apontando o cenário de endividamento no país e seus impactos na vida do consumidor. A pesquisa mostra dados significativos sobre os efeitos emocionais do endividamento.

Com relação ao cenário referente aos últimos 12 meses, o estudo mostrou, por exemplo, que 88% dos consumidores sentiram vergonha por ter dívidas e contas atrasadas, enquanto 85% tiveram insônia ou dificuldade para dormir devido à preocupação com as dívidas. Além disso, mais de 60% dos consumidores entrevistados confirmaram que as dívidas causaram impacto no relacionamento com familiares, amigos ou com o parceiro.

As crises nas relações interpessoais são consideradas um dos efeitos mais graves do endividamento ou também de uma situação financeira mais crítica, e acredite, eles podem ser ainda piores. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 80% dos suicídios cometidos no mundo acontecem em nações de baixa e média renda. Seria uma mera coincidência?

Outros dados também podem ajudar a tirar essa conclusão. Uma pesquisa feita pelo British Medical Journal em 54 países, mostrou que, em 2009, houve registro de 4.900 suicídios a mais do que é considerada a média registrada nesses locais com relação aos anos que passaram. Será que é possível considerar coincidência o aumento desse índice ter ocorrido logo após meses depois da crise econômica global de 2008, que afetou a vida financeira de milhares de pessoas? Talvez não!

O que é causa e o que é consequência nessa história?

Esse é um ponto muito importante quando se trata da relação entre saúde financeira e saúde mental. Os dados concluem que o endividamento impacta as nossas emoções, assim como causam sentimentos e sensações como vergonha, angústia, ansiedade, insônia e tristeza. Mas, e ao contrário? Será que emoções desequilibradas também podem se tornar gatilho para o endividamento?

“Pessoas com depressão ou emocionalmente fragilizadas, especialmente depois de um período delicado, como um processo de luto, por exemplo, podem fazer das compras e dos gastos excessivos uma válvula de escape para as emoções. E esses comportamentos podem acarretar uma situação financeira delicada o que, por si só, já é suficiente para afetar ainda mais a saúde emocional. Ou seja, é um círculo vicioso. E quem sofre com isso, se não parar para analisar, acolher e cuidar das causas, corre o risco de se tornar refém delas”, explica a psicóloga Izabela Gomides.

Indo pra prática, funciona assim: se você está endividado, sente culpa, arrependimento, vergonha e angústia e esses sentimentos podem acabar sendo gatilho para você assumir compromissos financeiros com os quais não se tem condições de arcar e, consequentemente, se endividar ainda mais. Além disso, se você sente ansiedade, estresse, tristeza ou qualquer outro sentimento desse tipo, e isso independe de motivo, pode acabar assumindo gastos não planejados como forma de tentar aliviar as emoções, e isso pode fazer você perder o controle da sua vida financeira e, consequentemente, cair em um cenário de dívidas.

O desequilíbrio emocional traz impactos em muitas áreas da nossa vida, inclusive a profissional. As pessoas que estão com a saúde emocional fragilizada podem não conseguir manter seu emprego e sua renda e isso, o que pode ser risco para um cenário de dívidas. De acordo com a pesquisa da Serasa, o desemprego ainda é o principal motivo de endividamento no país, mas há caminhos para não se deixar dominar por esse ciclo.

O que fazer para manter essa relação mais equilibrada?

Um passo importante para trazer mais equilíbrio para a relação entre a sua mente e o seu bolso é a informação. A busca pelo autoconhecimento faz entender como você lida com as situações emocionais, ao mesmo tempo que você busca meios para melhorar sua educação financeira, é fundamental nesse caminho.

O endividamento é a realidade de mais de 61 milhões de brasileiros e, ninguém está sozinho quando se fala em dívidas. Mas ainda sim, o caminho de cada um é individual e, por isso, é necessário encontrar alternativas que estejam de acordo com a sua realidade. É importante ressaltar que existem plataformas de educação financeira com foco em diferentes públicos, e é preciso entender melhor qual condiz com a sua situação.

Uma questão essencial é assumir o controle da sua vida financeira, por meio da criação de mecanismos que mantenham as finanças mais organizadas. É preciso clareza sobre tudo que envolve nossas receitas e despesas para saber para onde vai o nosso dinheiro. É isso que permite entender quais gastos precisam ou podem ser cortados, e se é necessário buscar uma fonte de renda extra ou se temos condições de negociar as pendências financeiras.

“É muito importante que os consumidores endividados busquem alternativas para negociar suas dívidas. Ao fechar um acordo, já é possível conquistar uma certa tranquilidade, afinal, o nome será limpo logo após o pagamento da primeira parcela e o consumidor volta a ter condições de ter acesso ao crédito no mercado. Mas, para que isso funcione, é preciso deixar claro que é fundamental que o consumidor busque uma negociação que realmente caiba no bolso dele, para que ele não corra o risco de quebrar o acordo feito e alimentar esse círculo de emoções negativas”, ressalta Pedro Lima, economista e co-CEO da fintech Meu Acerto.

Após isso tudo, é essencial buscar espaços para falar sobre os sentimentos. Por que mesmo que a vida financeira seja um tema delicada para se falar, é muito importante encontrar um ambiente seguro e uma rede de apoio confiável que permite compartilhar as dificuldades sobre o assunto com outras pessoas. Quando se fala sobre isso, é possível entender melhor a dimensão da situação e o quanto as emoções são impactadas por ela.

Fonte: Exame

Publicidade
Continuar Lendo
Publicidade
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Anúncio

Anúncio

Anúncio

INSTITUCIONAL

O Front Saúde

Bem-vindo à Revista Digital Front Saúde! Aqui você encontra as melhores notícias na área da saúde.

E se você soubesse de algo que pudesse salvar a vida de alguém que você ama?