Quais são os avanços e desafios da saúde trans no SUS?
Bandeira transgênero acenando ao vento contra um céu nublado. Por TaniaJoy
Bandeira transgênero acenando ao vento contra um céu nublado. Por TaniaJoy

Quais são os avanços e desafios da saúde trans no SUS?

Transgender flag waving in the wind against a cloudy sky.

Em celebração ao Dia Internacional dos Direitos Humanos, o Ministério da Saúde lançou o Programa de Atenção à Saúde da População Trans (Paes Pop Trans), com investimento previsto de R$ 152 milhões até 2028.

A iniciativa, desenvolvida pela Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (Saes), busca promover o cuidado integral à população trans ao longo de suas vidas e estender esse suporte também às suas redes de apoio.

AMPLIAÇÃO DE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS

O programa propõe mudanças significativas, como a inclusão de 34 novos procedimentos na tabela do SUS e a previsão de 153 serviços ambulatoriais e 41 hospitalares habilitados até 2028.

Isso vai além da hormonização e das cirurgias de redesignação sexual, respeitando o direito à autodeterminação dos pacientes.

Segundo Adriano Massuda, secretário da Saes, “é fundamental garantir acesso e cuidado integral à saúde da população trans em um país continental como o Brasil”.

AVANÇOS HISTÓRICOS E DIREITOS CONSOLIDADOS

A luta pela inclusão no SUS começou em 2006 com o direito ao nome social e avançou em 2008, com a implementação de cirurgias de redesignação sexual.

A Portaria 2803/2013 ampliou esses direitos, incluindo homens trans e travestis. Hoje, os serviços estão divididos em:

  • Atenção Básica: acolhimento inicial e encaminhamento.
  • Atenção Especializada: com suporte ambulatorial e hospitalar, variando conforme a idade e os procedimentos necessários.

DESAFIOS AINDA PRESENTES

Apesar dos avanços, o acesso ao atendimento especializado ainda enfrenta barreiras.

Faltam profissionais capacitados e salas de cirurgia, como evidenciado no Hospital de Clínicas de Pernambuco, onde a fila para procedimentos pode chegar a quatro anos.

Além disso, há desigualdade regional: o Nordeste possui apenas três estabelecimentos especializados, enquanto a região Norte conta com um único centro de referência.

HISTÓRIAS QUE INSPIRAM

O caso de Felippe Eduardo, homem trans de Goiás, destaca os impactos positivos dos serviços especializados.

Ele conseguiu realizar a histerectomia em 2023, após anos de desafios logísticos e financeiros. No entanto, ainda enfrenta obstáculos, como o custo elevado dos hormônios.

A IMPORTÂNCIA DO CUIDADO HUMANIZADO

Para a Dra. Aleide Tavares, especialista em cirurgias de redesignação sexual, o impacto na qualidade de vida dos pacientes é notável.

“Eles passam a reconhecer seu corpo como alinhado ao gênero com o qual se identificam”.

Contudo, ela ressalta que ainda é necessário ampliar o treinamento e o interesse de profissionais de saúde em atender essa população.

UM FUTURO DE INCLUSÃO

O Paes Pop Trans marca um avanço essencial, mas é apenas o começo. As políticas públicas precisam se alinhar aos desafios reais enfrentados pela população trans, garantindo que todos tenham acesso a um cuidado integral e respeitoso.

Fontes: Ministério da Saúde e Drauzio Varella