Brasil estuda terapia inovadora para anemia falciforme
fundo de glóbulos vermelhos, ilustração 3D Por claudioventrella
fundo de glóbulos vermelhos, ilustração 3D Por claudioventrella

Brasil estuda terapia inovadora para anemia falciforme

Os avanços na terapia de edição de DNA para anemia falciforme nos EUA e os esforços brasileiros para democratizar o acesso ao tratamento

A recente aprovação nos EUA da primeira terapia de edição de DNA para tratar a anemia falciforme trouxe à tona debates sobre acesso e custos. Enquanto isso, no Brasil, pesquisadores buscam desenvolver tecnologia própria para disponibilizar o tratamento no SUS, beneficiando cerca de 80 mil pessoas com a doença hereditária.

Parceria Público-Privada impulsiona pesquisa no Brasil

Um programa de parceria entre o Ministério da Saúde e hospitais privados destaca-se na busca por uma solução local. O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, lidera a pesquisa utilizando a técnica CRISPR-Cas9, que rendeu o prêmio Nobel à bioquímica Jennifer Doudna.

Edição genética: Uma nova esperança

Sob a liderança do imunologista Ricardo Weinlich, cientistas já conseguiram modificar o genoma de pacientes em amostras de células. Se os testes em maior escala forem bem-sucedidos, um teste clínico no Brasil pode começar em dois anos, oferecendo uma nova possibilidade de cura.

Entendendo a anemia falciforme

A anemia falciforme, hereditária e mais comum em famílias negras, provoca alterações nas células sanguíneas, comprometendo o transporte de oxigênio. A terapia CRISPR surge como uma esperança de ampliar as opções de intervenção, proporcionando benefícios não apenas aos pacientes, mas também ao sistema de saúde.

Desafios e perspectivas

Embora o transplante de medula óssea, utilizado em terapias contra leucemia, seja um procedimento eficaz, a terapia CRISPR permite que o próprio paciente doe o material modificado. Apesar dos custos iniciais, a pesquisa busca tornar a tecnologia mais acessível no futuro, considerando o histórico de racismo estrutural que afeta a maioria dos pacientes dependentes do SUS.

Alternativas em pesquisa: Restauração da hemoglobina e inovações no processo

O Hospital Einstein trabalha em duas terapias com CRISPR: uma busca restaurar a hemoglobina normal, enquanto outra foca em uma versão fetal da proteína. Outros grupos, como o Instituto D’Or em colaboração com Jennifer Doudna, buscam reduzir custos e simplificar o processo de administração do tratamento.

Democratizando o acesso: Um compromisso da pesquisa brasileira

Ressaltando a importância de não gerar patentes e royalties, Weinlich destaca o compromisso de disponibilizar a tecnologia desenvolvida diretamente no SUS. Pesquisadores também exploram alternativas, como a administração do CRISPR por via venosa, visando tornar o tratamento mais acessível a um maior número de pacientes.

Em meio aos desafios, a pesquisa brasileira busca não apenas avançar na ciência, mas também garantir que a inovação alcance aqueles historicamente negligenciados, proporcionando esperança e qualidade de vida para os portadores de anemia falciforme.

Fonte: O Globo