Acesso para tratamento de doenças psiquiátricas ainda é desigual, principalmente para crianças e adolescentes; estigma é barreira para o cuidado
O suicídio é a quarta causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo. Estima-se que mais de 700 mil pessoas tirem a própria vida a cada ano e que 77% desses casos aconteçam em países de baixa e média renda. Esses dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS), que traz outras informações relevantes, como o fato de que, para cada suicídio, existem muitas outras tentativas. Há ainda o impacto psicossocial nas pessoas próximas a quem se suicidou.
No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2016 e 2021, houve aumento de 45% nas taxas de mortalidade por suicídio em adolescentes de 10 a 14 anos, e de 49,3% entre 15 a 19 anos. Podemos entender o suicídio como o desfecho de uma equação com diversos fatores ealgumas incógnitas. Enquanto buscamos respostas, no entanto, tendemos a ignorar o que está bem estabelecido.
Uma tentativa de suicídio prévia é o principal fator de risco para o suicídio na população em geral. A maioria dos hospitais tem protocolos rigorosos para manejo de diversas situações de emergência médica, porém indivíduos que tentam suicídio frequentemente não recebem a atenção e o encaminhamento adequados. Alguns sequer buscam atendimento, com receio de como serão tratados ou devido a experiências negativas.
Outro importante fator de risco é a presença de transtornos mentais. O acesso ao tratamento em saúde mental, no entanto, é desigual. Essa lacuna é ainda mais expressiva entre crianças e adolescentes, justamente a faixa etária em que a maioria das doenças psiquiátricas tem início. Ou seja, quando disponível, em geral, a intervenção é tardia, momento em que enfrentamos mais complicações. Além disso, mais uma vez, o estigma é visto como barreira para o cuidado.
Ainda, dentro dessa complexa equação, há aspectos psicológicos, sociais e culturais. Situações traumáticas na infância, negligência, violência e abuso são fatores de risco tanto para o desenvolvimento de transtornos mentais, quanto para o suicídio. Sofrer discriminação, das mais diversas formas, também aumenta o risco de comportamento suicida. O uso de álcool e outras drogas tem associação com alterações no desenvolvimento cerebral, impulsividade e suicídio. Para os jovens, com maior ênfase, questões envolvendo autoestima, bullying, relacionamentos interpessoais e mídias sociais têm impacto considerável na saúde mental.
Evidentemente, campanhas de prevenção são essenciais para informar, conscientizar e ajudar a quebrar preconceitos, contribuindo para o maior acesso aos recursos terapêuticos. Entretanto, a prevenção ao suicídio demanda o engajamento e comprometimento dos diversos setores da sociedade, envolvendo ações integradas que possam efetivamente se traduzir em promoção de saúde mental.
Considerando a maior eficácia de estratégias de prevenção quando a abordagem é precoce, torna-se essencial o olhar sobre os jovens e os ambientes em que eles estão inseridos, como as escolas. Estabelecer uma nova cultura sobre saúde mental no ambiente escolar é importante para que possamos promovê-la desde cedo. Acreditamos na capacidade de toda a sociedade se transformar quando aprendemos a cuidar da nossa mente e a respeitar as nossas mentes.
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Texto de Carlos Gustavo Zanotto Costardi para a Veja
*Carlos Gustavo Zanotto Costardi é psiquiatra pela Escola Paulista de Medicina e consultor do Instituto Ame Sua Mente
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