Pará está entre os dez estados com mais mortes por doenças cardiovasculares

Os maus hábitos do nosso cotidiano podem trazer impactos para a saúde, principalmente quando se fala em problemas cardiovasculares. Hipertensão, diabetes e obesidade são alguns dos principais fatores de risco para doenças cardíacas.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), de janeiro a primeira quinzena de julho de 2020, mais de 215 mil pessoas perderam a vida por problemas cardíacos no Brasil. Nesta quarta-feira (29) é o Dia Mundial do Coração. A data é marcada pela importância de manter hábitos saudáveis e preservar a saúde do coração.

A médica cardiologista da Hapvida Aline Guimaraes explica que os primeiros sinais de alerta, de um modo geral, são fadiga, que pode vir acompanhada por falta de ar,  provocando desconforto. “Principalmente ao realizar esforços físicos, como subir uma escada ou fazer uma caminhada, dor no peito, edema de membros inferiores e tosse noturna. Pode ainda acontecer palpitações (coração acelerado) e até desmaios. Esses são os principais sinais de alerta que se presente o atendimento médico se torna prioritário”, afirmou.

Dra. Aline Guimaraes. Foto: Divulgação.

O aumento de mortes por doenças cardiovasculares deixou o Pará entre os dez estados com o maior número de ocorrências desses casos, segundo a especialista. “As mortes por doenças cardiovasculares aumentaram em 30% no Pará, no último ano, segundo dados dos cartórios de registro civil. O número de mortes por doenças cardiovasculares (DCV) deixaram o Pará entre os 10 estados com maior número de mortes por DCV. Diante desse cenário, que agravou pela pandemia por covid-19, as prática de atividade física foram restritas e houve o aumento da obesidade, da depressão, ansiedade e do tabagismo. As DCV são preocupantes no Pará, e devemos estar preparados passando informações pra população em geral, sobre como podemos mudar esse cenário”, revelou a médica.

Mal súbito no Pará

Casos mais recentes de mal súbito causaram um alerta entre a população e especialistas. Segundo dados do DataSus, do Ministério da Saúde, disponibilizados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), foram registrados 101 ocorrências de morte súbita, em 2020, no Pará. Os casos são os mais recentes contabilizados, de origem cardíaca e que aparecem no sistema como doenças do aparelho circulatório mal definidas.

A Dra. Aline explica é preciso diferenciar morte súbita e mal súbito. ”O mal súbito é uma manifestação de que algo não vai bem. Geralmente ocorre a perda da consciência e pode ser ocasionada por uma desidratação, hipoglicemia e até causar um breve desmaio sem necessariamente ser fatal, porém o mal súbito também pode ser um sinal de casos mais graves como infarto, arritmias e aneurismas. Já a morte súbita é quando a pessoa vai à óbito de maneira repentina, imprevisível. Na literatura, 80% dos casos de morte súbita é ocasionada por doenças do coração seguidas das doenças neurológicas”, esclareceu.

Prevenção é o caminho

A prevenção das doenças cardiovasculares deve ser feita inicialmente por informação, segundo a cardiologista. “Grande parte das doenças cardiovasculares podem ser prevenidas com a adoção de hábitos saudáveis: alimentação adequada rica em fibras, frutas, vegetais, evitando frituras, fast food e refrigerantes. Além disso, é preciso ter o controle do peso, prática regular de atividade física e controle do estresse. Porém, existem fatores de risco para doenças cardiovasculares que não podem ser evitados como a história familiar. Existem ainda as cardiopatias congênitas que serão abordadas com o acompanhamento regular do cardiologista evitando evoluções desfavoráveis”, recomendou.

Procurar um médico cardiologista para fazer exames de rotina é o primeiro passo para iniciar o tratamento correto para doenças relacionadas ao coração. “Com o diagnóstico correto, a intervenção na hora certa o tratamento será eficaz. Há inúmeras possibilidades de tratamento que vão desde a orientação sobre hábitos de vida, orientações sobre atividades físicas, introdução de medicamentos até procedimentos cirúrgicos de alta complexidade”, concluiu Dra. Aline.

Alessandra Fonseca

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