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A religiosidade e a fé são parte da cultura dos paraenses. Essa característica peculiar aflora principalmente no mês de outubro, quando as festividades do Círio de Nazaré começam. Especialistas afirmam que as atividades voltadas para a espiritualidade influenciam a subjetividade, atuando na forma como julgamos, processamos informações e nos relacionamos, por exemplo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o bem-estar espiritual é uma dimensão do estado de saúde, vinculado a questões psíquicas, corporais e sociais. De acordo com a psicóloga Caroline Cavalcante, praticar a religião afeta diretamente a saúde mental e a qualidade de vida de uma pessoa, principalmente no Círio. “Muitas pessoas veem o Círio como uma oportunidade de renovar sua fé, agradecer ou pedir realizações, ajudar outras pessoas, confraternizar com amigos e familiares e diversas outras formas de expressão e compreensão desse momento. Esse evento pode influenciar na saúde mental, a partir do entendimento de cada um sobre o significado pessoal que atribuí ao círio e a maneira como vivência esse momento”, afirmou.

As mudanças na programação da romaria por conta dos protocolos de segurança no combate a covid-19 foram necessárias desde 2020.  A forma como a festividade ocorre a partir disso pode resultar em sentimentos de saudade e tristeza por não ocorrer conforme os anos anteriores, ressalta a psicóloga. “A religiosidade é a maneira como o sujeito experiência a vida, é a expressão ou prática relacionada a uma instituição religiosa. A espiritualidade é a maneira como a pessoa dá sentido para a vida, que pode ou não se relacionar com uma crença ou prática religiosa. É possível que ao vivenciar a falta de sentido ou de propósito na vida, o sujeito esteja em sofrimento mental, resultando até mesmo em psicopatologias, não pela falta de religião, mas pela fragilidade da relação pessoal com a espiritualidade”, declarou.

A fé que transforma

O estudante Dário Ramos afirma que a devoção por Nossa Senhora de Nazaré começou desde pequeno, por influência da família católica e acredita que a religiosidade traz benefícios para a saúde mental. “Eu acredito que a religiosidade me traz benefícios pra saúde mental porque faz bem ter esperança. Acreditar em algo maior, em uma realidade melhor, nos faz esperar por dias melhores e dão sentido aos dias difíceis. Além disso, a prática religiosa, se bem vivida, me faz sair de mim mesmo, ir ao encontro dos que mais precisam, buscar ser uma pessoa melhor, buscar viver uma vida de virtudes”, afirmou.

Dário Ramos, junto a mãe e o irmão. Foto: Arquivo pessoal.

Morando atualmente em Curitiba desde o ano passado junto com toda a família, Dário consegue manter a tradição do Círio em casa. “Nós fazemos o tradicional almoço do Círio. Também organizamos uma missa em nossa paróquia para celebrar o Círio de Nazaré. Levamos a imagem, cantamos as músicas. Isso ajuda a nos sentirmos um pouco mais próximos da nossa terra”, contou.

A dona de casa Mirtes Dias afirma que a devoção por Nossa Senhora de Nazaré, vem desde a infância. “Morávamos no interior, em Ourém, e meu pai nos trazia todos os anos para acompanhar o Círio,  era muita emoção. Depois da passagem da Santa nos reuníamos para o tradicional almoço. E assim Nazinha  nunca mais saiu de nossas vidas, desde então sempre recorro à Ela em todos os problemas que enfrentamos e em todas as alegrias e momentos felizes. Desde então  passamos para nossos filhos esta devoção e amor a Maria”, relembrou.

Mirtes Dias em época de Círio. Foto: Arquivo pessoal.

Para ela, a religiosidade é uma forma de enfrentar os problemas. “Através da oração nos fortalecemos, temos coragem de enfrentar os problemas, imagine nesse tempo de pandemia, se não  tivéssemos fé como íamos suportar tantas perdas de ente queridos.  A oração é  tudo na nossa vida. O mês de outubro na nossa casa é  especial. Fazemos o cantinho da Nazinha com flores, fazemos a peregrinação. É só  alegria e emoção”, concluiu.

Foto: Jader Paes/ Agência Pará

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