Autismo: desafios e a luta por inclusão no Brasil e no Mundo
Fita com peças de quebra-cabeça coloridas e figura de madeira em fundo escuro, lugar para texto
Por AtlasComposer
Fita com peças de quebra-cabeça coloridas e figura de madeira em fundo escuro, lugar para texto Por AtlasComposer
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1% da população global está no espectro autista, o que equivale a cerca de 70 milhões de pessoas.
Apesar dos avanços científicos, muitos países ainda falham em garantir direitos básicos.
A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada pela ONU em 2008, estabeleceu diretrizes para inclusão, mas sua implementação é desigual.
Dados alarmantes revelam que:
60% das pessoas com autismo sofrem bullying na escola;
80% dos adultos autistas estão desempregados ou subempregados;
A expectativa de vida pode ser 16-30 anos menor devido a condições associadas e falta de cuidados adequados.
O BRASIL EM FOCO: DIAGNÓSTICO TARDIO E BARREIRAS ESTRUTURAIS
No Brasil, estima-se que 2 milhões de pessoas tenham autismo, mas o diagnóstico ainda é um desafio, especialmente para mulheres e adultos.
O SUS oferece atendimento, mas a demora pode chegar a 2 anos para avaliação em alguns estados.
Agência Brasil obteve o relato de dois casos reais que ilustram a crise:
Nutricionista de 48 anos de São Paulo
Diagnosticada em 2022 após anos de tratamentos frustrados para depressão e ansiedade;
Relata crises de “burnout autístico” (esgotamento por superestimulação sensorial);
No trabalho, precisou mudar de setor para um ambiente com menos barulho e luzes fortes.
Publicitária de 24 anos do Rio de Janeiro
Teve diagnóstico confirmado em 2021 após vida inteira de incompreensão;
Sofria com etiquetas de roupas e sons altos desde a infância, mas era chamada de “dramática”;
Hoje usa protetores auriculares e tem direito a home office como adaptação razoável.
OBSTÁCULOS PARA DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO NO BRASIL
Falta de especialistas: apenas 1.200 psiquiatras da infância e adolescência para toda a população (1 para cada 20 mil crianças);
Custos: avaliação neuropsicológica privada pode custar até R$ 5.000;
Desinformação: mito de que autismo só afeta crianças persiste, deixando adultos sem apoio.
O IMPACTO DO DIAGNÓSTICO TARDIO
Estudos mostram que adultos diagnosticados tardiamente:
Têm 3 vezes mais risco de desenvolver depressão grave;
Passam em média por 5 profissionais antes do diagnóstico correto;
Gastam 70% mais com saúde nos 5 anos anteriores à descoberta.
O QUE ESTÁ SENDO FEITO?
Lei Berenice Piana (2012): garante direitos como educação inclusiva e prioridade no SUS, mas enfrenta dificuldades na prática;
Projetos Locais: em São Paulo, o programa “Autismo no Trabalho” já inseriu 300 autistas no mercado formal;
Tecnologia: plataformas como “Tismoo” usam genética para personalizar tratamentos.
COMO SOCIEDADE PODE AGIR?
Empresas: criar vagas afirmativas e adaptar ambientes (ex.: iluminação indireta);
Escolas: treinar professores para identificar sinais precoces;
Famílias: buscar grupos de apoio como “Autismo & Realidade”;
Poder público: expandir os CAPs Infantis e criar centros para adultos.
HISTÓRIAS QUE INSPIRAM
Davi Duarte, 16 anos (Bahia): Primeiro aluno autista a vencer olimpíada de matemática no estado;
Ana Carolina, 35 anos (Minas Gerais): Criou uma linha de roupas sem costuras para autistas.
DADOS QUE EXIGEM AÇÃO
Diagnóstico antes dos 5 anos no Brasil foi de apenas 30% enquanto no mundo foi de 50%;
O acesso à terapia ocupacional no Brasil foi de 25% e no mundo de 40%;
Leis trabalhistas específicas, apenas uma no Brasil (Lei 13.146/2015), enquanto no mundo existem leis em 43 países.