Hospital do Andaraí, na Zona Norte do Rio Hospital do Andaraí, na Zona Norte do Rio Foto: Victor Gautier/MS
O ex-ministro da Saúde e presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Arthur Chioro, escreveu para o jornal O Globo sobre a complexidade da crise dos hospitais federais no Rio de Janeiro.
Ele escreveu que as tentativas frustradas de solucionar a situação, mostram que não há solução simples para problemas complexos.
Historicamente, a descentralização da saúde no Brasil, após diversas idas e vindas, ficou incompleta no Rio de Janeiro.
Muitos defendem que garantir saúde como direito universal só é possível por meio de uma gestão estatal federal*.
Qualquer outra forma de gestão, mesmo nos marcos da administração pública indireta e 100% destinada ao SUS, é vista por alguns como uma forma de “privatização”.
No entanto, essa tese não se sustenta nos preceitos constitucionais e na Lei Orgânica da Saúde, que regulamenta o SUS desde 1990.
As premissas da Reforma Sanitária, que defendem a descentralização, continuam válidas. Enquanto outras capitais não devolvem hospitais, os hospitais federais do Rio de Janeiro seguem custando muito e entregando pouco à população vulnerável.
A manutenção do statu quo serve a interesses diversos, como aponta o relatório da CPI da Covid-19 do Senado, que indica a apropriação da gestão por máfias empresariais e milícias.
A busca por soluções que rompam essa lógica é urgente. Não se trata de fragmentar ou fatiar, mas de inovar e fortalecer parcerias na gestão pública.
Paradoxalmente, enquanto alguns hospitais federais estão ociosos, outros operam em condições críticas, sem viabilidade de reforma ou ampliação, como o Instituto Fernandes Figueira (IFF-Fiocruz) e o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) da Unirio, gerido pela Ebserh.
A fusão de hospitais é uma tendência global, proporcionando ganhos de qualidade, escala, efetividade e adensamento tecnológico e de recursos humanos.
A integração do Hospital do Andaraí com a gestão da Prefeitura é uma proposta em curso. Seria um avanço contar com a Fiocruz na gestão de um hospital federal, a partir da fusão com o IFF?
Da mesma forma, a fusão de um hospital federal com o HUGG, que possui estrutura centenária e tombada, poderia ser uma saída.
A integração com o Hospital Federal dos Servidores do Estado, a menos de 1,5 km, geraria um hospital universitário com 500 leitos, 18 salas cirúrgicas e robusta oferta de ensino, com 54 programas de residência e oito de pós-graduação.
Resgatar a grandiosidade do Hospital dos Servidores permitiria a operação plena e serviços de excelência, aproveitando o corpo clínico qualificado e a vocação acadêmica.
A Unirio teria um hospital universitário maior que o da UFRJ, transformando-se em uma das principais instituições de ensino e pesquisa em saúde do Brasil.
O Ministério da Saúde poderia focar em sua missão essencial: coordenar o SUS, formular e avaliar políticas de saúde.
Quem mais se beneficiaria seria a população do Rio de Janeiro, o SUS e seus trabalhadores, pois essa é a verdadeira prioridade.
Fonte: O Globo
* Uma gestão estatal federal refere-se à administração direta e centralizada de serviços e instituições pelo governo federal. No contexto dos hospitais federais, isso significa que o governo federal é responsável pela gestão e operação desses hospitais, em vez de delegar essa responsabilidade a governos estaduais, municipais ou outras entidades.
Ministro da Saúde Alexandre Padilha Foto de Rafael Nascimento para Ministério da Saúde O Brasil…
A Policlínica/NATEA de Marabá Foto de Bruno Cruz para Agência Pará A nova Policlínica/NATEA de…
Fita com peças de quebra-cabeça coloridas e figura de madeira em fundo escuro, lugar para…
Vista superior do garoto especial com autismo entre outro em fundo verde Por LightFieldStudios O…
Mais de 10 mil pessoas passaram pela Arena Guilherme Paraense, o "Mangueirinho", no último final…
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta urgente nesta terça-feira (1º) sobre…
This website uses cookies.